Por Profª. Elisabete Pogere
A obesidade vem se tornando tema de crescente preocupação, dado o importante aumento na sua prevalência e a sua associação com diversas condições mórbidas.
A obesidade infantil preocupa devido ao risco aumentado que esses indivíduos têm de tornar-se adultos obesos. SERDULA et al (1993) encontraram um risco no mínimo duas vezes maior de obesidade na idade adulta para as crianças obesas em relação às não obesas; cerca de um terço dos pré- escolares e metade dos escolares obesos tornam-se adultos obesos.
A obesidade pode ser definida como um excesso de adiposidade no organismo. Diversos métodos têm sido desenvolvidos para medir a gordura corporal, incluindo densitometria, ultra-sonografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética, medida dos níveis de potássio corporal, da creatinina e da água corpórea total. Em geral são métodos caros, demorados, que requerem pessoal especializado e que não estão largamente disponíveis, (ZLOCHEVSKY, 1996).
Com base nas medidas antropométricas, vários critérios têm sido empregados para definir sobrepeso e obesidade. O Índice de Massa Corporal (IMC), calculado pela fórmula Peso/Estatura2, consiste num dos índices mais adequados para a avaliação do sobrepeso em crianças e adolescentes, na rotina clínica e em saúde pública. A sua validade tem sido demonstrada não apenas do ponto de vista de “validade de medida”, em estudos nos quais o IMC foi comparado com outros métodos mais acurados de medida da adiposidade, como também tem sido demonstrada sua “validade clínica”, ou seja, sua associação com diversas condições mórbidas, (DIETZ, 1998; PIETROBELLI et al, 1997).
O índice de massa corporal (IMC) foi recomendado pela Organização Mundial da Saúde (WHO, 1995) como um indicador para avaliação do estado nutricional de adolescentes, e tem sido utilizado em estudos epidemiológicos, (DUTRA et al, 2006; EATON et al, 2005). Isto deve-se ao facto de que este indicador utiliza medidas de fácil mensuração, possui grande precisão, não exige equipamentos sofisticados e nem pessoal especializado, além de apresentar boa capacidade de discriminar excesso de gordura corporal em adolescentes, (MALINA & KATZMARZYK, 1999; MEI et al, 2002).
Assim, o Índice de Massa Corporal (IMC) é um método simples para se determinar o grau de obesidade de uma pessoa. Estabelece uma relação entre a estatura e o peso, relação essa que indica se o peso da pessoa está, ou não, adequado à estatura.
Porém, deve-se ter em conta que o peso corporal é o somatório dos órgãos, estrutura óssea, massa muscular, fluidos e tecido adiposo e portanto, esta fórmula torna-se incompleta para desportistas; devendo-se considerar também a faixa etária, gênero e momento da avaliação.
As medidas mais utilizadas para a determinação do IMC são de peso, estatura e dobras cutâneas, subescapular e triciptal.
Desta forma e com o intuito de promover hábitos saudáveis na população escolar, foi feito o levantamento dos dados para a determinação do IMC dos alunos pelos professores de Educação Física dos respectivos anos de escolaridade tanto do 3º Ciclo do Ensino Básico como do Ensino Secundário da Escola Secundária de Monção, durante o primeiro período do ano lectivo de 2009/2010. Em seguida, a professora Elisabete Pogere fez o tratamento, conferência e análise dos dados para posterior encaminhamento através do Gabinete “GAIA”.
No 3º Ciclo do Ensino Básico, a grande maioria dos alunos, ou seja, 61.19% do total analisado, encontra-se na zona considerada normal para o índice de massa corporal nesta faixa etária, conforme tabela da Organização Mundial da Saúde.
A percentagem dos alunos que se encontram abaixo e com excesso de peso é de respectivamente 23.88% e 8.95%, tendo os casos de obesidade moderada uma percentagem de 4.47%. Não foram registados nenhum caso de obesidade grave e mórbida neste ciclo de ensino.
No Ensino Secundário, houve um paralelismo em relação ao Ensino Básico a percentagem dos alunos que se encontram na zona considerada como normal para a faixa etária em questão, uma vez que totalizam 73.47% dos alunos que realizaram os testes.
A percentagem dos alunos que se encontram abaixo e com excesso de peso é de respectivamente 6.40% e 14.93%, ou seja, segue uma ordem inversa aos do 3º ciclo, facto considerado normal dentro das características de cada faixa etária. Quanto aos casos de obesidade moderada, a percentagem para o Ensino Secundário é de 3.96%, sendo os de obesidade grave e mórbida respectivamente de 0.30% e 0.91%.
Não há consenso no estabelecimento de um critério universal de classificação do IMC em adolescentes. Isso deve-se às mudanças que ocorrem na composição corporal, por influência do processo de maturação sexual, com grandes variações por idade, sexo e etnia, que não são captadas com precisão pelo IMC, (DEMERATH et al, 2006; MALINA et al, 1999).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DEMERATH, E.W.; SCHUBERT, C.M.; MAYNARD, L.M.; SUN, S.S.; CHUMLEA, W.C.; PICKOFF, A. (2006). Do changes in body mass index percentile refl ect changes in body composition in children? Data from the feels longitudinal study. Pediatrics. nº 117, vol 3, p. 487-95.
DIETZ, W.H. (1998). Use of the body mass index (BMI) as a measure of overweight in children and adolescents. J. Ped., nº 132, p.191-3.
DUTRA, C.L.; ARAÚJO, C.L.; BERTOLDI, A.D. (2006). Prevalência de sobrepeso em adolescentes: um estudo de base populacional em uma cidade no sul do Brasil. Cad. Saude Publica, nº 22, vol 1, p. 151-62.
EATON, D.K.; KANN, L.; KINCHEN, S.; ROSS, J.; HAWKINS, J.; HARRIS, W.A. (2005). Youth Risk Behavior Surveillance - United States. MWR Surveill Summ. nº 55, vol 5, p. 1-108.
MALINA, R.M.; KATZMARZYK, P.T. (1999). Validity of the body mass index as an indicator of the risk and presence of overweight in adolescents. Am J Clin Nutr. nº 70, vol 1, p. 131S-6S.
MEI, Z.; GRUMMER-STRAWN, L.M.; PIETROBELLI, A.; GOULDING, A.; GORAN, M.I.; DIETZ, W.H. (2002). Validity of body mass index compared with other body-composition screening indexes for the assessment of body fatness in children and adolescents. Am J Clin Nutr. Nº 75, vol 6, p. 978-85.
PIETROBELLI, A.; FAITH, M.S.; ALLISON, D.B.; GALLAGHER, D.; CHIUMELLO, G.; HEYMSFIELD, S.B. (1997). Body mass index as a measure of adiposity among children and adolescents: a validation study. J Ped.; nº 132, p. 204-10.
SERDULA, M.K.; IVERY, D.; COATES, R.J.; FREEDMAN, D.S.; WILLIAMSON, D.F.; BYERS, T. (1993). Do obese children become obese adults? - A review of the literature. Prev. Med.,nº 22, p. 167-77.
ZLOCHEVSKY, E.R.M. (1996). Obesidade na infância e adolescência. Rev. Paul Ped.; nº 14, p.124-33.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. (1995). Physical status: the use and interpretation of anthropometry. WHO Technical Report Series, 854. Geneva.
